A Febre Que Quase Me Fez Desistir…

20 de dezembro de 2018

Viajar e pedalar.

Há 2 anos consegui juntar essas 2 paixões, participando de um grupo de Cicloturismo.

Em minhas férias de setembro, partimos em um grupo de 15 pessoas (alguns amigos mais antigos, outros conquistados).

Tínhamos o desafio de pedalar cerca de 500 km durante 7 dias, atravessando 3 países (Alemanha, Áustria e Itália).

Apesar de não ser uma competição, isso exige MUITO esforço físico.

Saindo de Munique (logo no primeiro dia!) acordei derrubada com o corpo todo moído e morrendo de dor na garganta. 

Mesmo preocupada e debilitada, consegui completar o dia com muita força de vontade. 

Só que à noite a malvada da gripe me derrubou ainda mais. 

Minhas amigas juntaram suas “necessaires mágicas” de onde saíam um moooooonte de remédios! 

Eu quase nunca fico doente, por isso detesto remédios (só tomo quando não tem jeito mesmo).

Os dias foram passando…
A virose piorando…
A respiração dificultando..
Os amigos cuidando de mim…

E assim eu seguia pedalando. No sacrifício.

No dia mais esperado, passaríamos pelas íngremes cordilheiras dos Alpes Italianos – As Dolomitas:

Eram quase 100 km de pedal e um lindo percurso, mas com ladeiras IMENSAS!

E eu acordei PÉSSIMA, com febre, dor no corpo, quase não conseguia respirar.

Muito preocupados, todos me aconselharam a ir na Van de apoio.

Mas é lógico que eu não aceitei, né?! 

Decidi pedalar até o meu limite, até onde o corpo aguentasse e eu caísse de exaustão.

Meus amigos me deram um “coquetel” de remédio-derruba-virose…

E assim fomos ladeira acima pelos inesquecíveis Alpes Italianos, patrimônio da Unesco.

Pouco depois do início, pela primeira vez eu senti que não iria conseguir completar o passeio.

Acostumada a subir ladeiras na maior facilidade, em uma delas o ar me faltou… de uma maneira PREOCUPANTE. 

Tive que descer da bike e subir empurrando. Minhas solidárias amigas fizeram o mesmo.

Era a forma delas de me dizer: Estamos com você.

No meio do caminho paramos para um lanche.

Sentei e senti meu queixo batendo de febre e meu corpo tremendo de frio e de dor.

Foi quando o técnico que nos acompanhava sugeriu que eu não continuasse.

Aí caiu a ficha e eu vi que a coisa estava mesmo feia 🙁

Nessa hora, senti um misto de tristeza, frustração e derrota que eu não tenho o costume de experimentar. 

Foi forte.

Doeu.

Como eu poderia abandonar o pedal que me preparei meses para realizar?

Eu ficaria completamente arrasada. E minhas amigas sabiam disso.

Então, me deram seus casacos e acessórios para que eu ficasse mais aquecida. 

E não saíam do meu lado nem um segundo, me incentivando o TEMPO TODO.

Foi assim que chegamos ao destino, depois de quase 10h de viagem.

Graças ao cuidado e incentivo de todos….. Eu C.O.N.S.E.G.U.I !!!! 

Eu e minhas amigas, as defensoras Firmiane e Larissa que me incentivaram a todo momento e não me deixaram desistir no meio do caminho.

Essa é uma história muito marcante, porque em regra eu tenho o papel de cuidar, de me preocupar com os outros.

Às vezes mais do que comigo mesma.

Só que desta vez EU é que precisei (e encontrei!) de MUITO cuidado. 

E me senti amada, protegida, e apesar das dores e dificuldades… FELIZ.

Eu recebi o cuidado que precisava nos exatos momentos em que duvidei da força que existia em mim.

Entendo que assim deve ser a vida, tanto pessoal como profissional. 

Somos defensores públicos e uma das nossas maiores funções é cuidar dos nossos assistidos.

São pessoas em sua maioria esquecidas e ignoradas pela sociedade. 

Muitas vezes eles só têm em nós a ESPERANÇA de serem vistos, ouvidos… de se sentirem GENTE. 

Tenho certeza que você tem forte em sua lembrança… algum senhor, alguma senhora, alguma criança…

… alguma PESSOA que em meio a tanto sofrimento ainda consegue SORRIR…

… e expressar da maneira mais humilde e sincera do mundo, a GRATIDÃO de ter sido ouvida e cuidada por você.

Essas pessoas SABEM reconhecer que, em meio a tanta maldade e indiferença…

É VOCÊ, defensor(a), que personifica a razão de ser de uma instituição pública e gratuita que existe para garantir os direitos de quem mais precisa.

NÓS defensores fazemos isso muito bem, sem falsa modéstia….

… mas o cuidador também precisa de cuidados.

Cuidados que sim, envolvem a nossa estrutura física, a quantidade e capacitação dos nossos servidores, a nossa remuneração.

Cuidados que também envolvem acolher os novos defensores que assumem comarcas no interior desse imenso estado, muitas vezes solitários e distantes de seus familiares e amigos mais queridos.

Cuidados que também envolvem respeitar a história de todos aqueles que ajudaram a construir a defensoria que hoje temos.

Cuidados que também envolvem escolher e gerir uma equipe de coordenadores capazes e comprometidos com a instituição.

Cuidados que também envolvem ouvir e dialogar com todos, e não apenas os nossos amigos.

Essa é a postura que esperamos de um Defensor Público Geral.

E como DPG, caso seja a vontade da classe, em muitos momentos eu vou querer e precisar CUIDAR de vocês.

Em alguns outros, eu também vou precisar ser cuidada, assim como aconteceu no Cicloturismo.

Precisamos de um verdadeiro TRABALHO EM EQUIPE.

Quando um esmorece, o outro vem, apóia, empresta seu casaco, abre sua necessaire de remédios, escuta nossos medos, emite vibrações e palavras de incentivo.

Todos se apoiam, mesmo nas dificuldades e nas saudáveis discordâncias.

E assim, JUNTOS, faremos uma Defensoria Pública cada vez MAIS FORTE.

Forte abraço,

Soraia Ramos
Defensora Pública
“Ouvir, Cuidar e Lutar”
soraiaramos.com
71 99124-6446 (Fale comigo no Whatsapp!)

PS: Passamos das 80 respostas do nosso questionário, agora já tenho muito mais insumos para te apresentar uma proposta condizente com o que VOCÊ deseja para nossa Defensoria.

Se ainda não respondeu, te peço esse IMENSO FAVOR: 

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(É 100% anônimo e não leva nem 3 minutos!)