A braçada final

31 de janeiro de 2019

“Talvez o fim não seja nada e a estrada seja tudo” (Marina Lima)

Deixa eu te contar uma breve história antes de te falar da eleição do dia 01 de fevereiro…

Desafio: Travessia Mar Grande – Salvador (12 km nadando pela Baía de Todos os Santos)

Eu, meu irmão e uma amiga treinamos por longos meses para fazer esta famosa travessia pela primeira vez.

Por mais que eu me esforçasse nos treinos, eles sempre ficavam na minha frente.

Apesar disso, eu me sentia forte e confiante.

No dia tão sonhado, eu estava na concentração quando chegaram os barcos que iam nos acompanhar e dar o suporte técnico e alimentar.

Foi aí que notei algo que abalou a minha estrutura.

De mais de 200 atletas, vi que o meu barco era sem sombra de dúvidas o menor e o mais simples de todos. 

Me bateu uma insegurança imediata, porque pensei:

“Se meu barco é o menor, é porque eu sou a atleta mais fraca da equipe”.

E de fato eu não estava entre as mais velozes.

Algum tempo depois, foi dada a largada na Praia de Mar Grande, Ilha de Itaparica.

Comecei muito nervosa… respirava ofegante.

Parecia que meu coração ia pular do meu peito. 

Por um momento achei que meu fôlego, um dos meus pontos mais fortes, não iria durar nem 10 minutos.

Desistir seria um completo desastre para mim.

Resolvi tentar parar de pensar no meu “mini-barquinho”, nos 200 atletas, no meu irmão, na minha amiga…

Resolvi focar na ÚNICA COISA que só dependia de mim: as minhas braçadas.

E foi dando certo…

Por vários momentos parecia que eu estava nadando completamente sozinha no longo percurso até o Porto da Barra.

Consegui dar o meu melhor e concluí a prova!

Ainda tem mais…

Eu cheguei antes do meu irmão e minha companheira de clube!

Para minha SURPRESA, eu superei atletas que eu admirava. E que eram bem mais velozes que eu!

Sobre a ELEIÇÃO de amanhã…

Quando me candidatei ao cargo de Defensor Público Geral, uma enxurrada de pensamentos me atravessou: 

  • Será que vou conseguir expor minhas ideias?
  • Será que vou ser compreendida e acolhida pelos colegas? 
  • Ou será que vão me julgar, por causa do tom de voz mais grave, ou pelo meu jeito contundente de defender ideias e zelar pelo que acredito?

Apesar de tantas dúvidas, encarei minha candidatura como uma oportunidade de conversar com mais pessoas, dentro e fora da Defensoria.

Eu queria saber realmente o que elas esperam da nossa instituição e de seu gestor maior. 

E basearia minhas propostas nesse aprendizado.

Passei a me concentrar totalmente em “Ouvir, Cuidar e Lutar”.

Essas foram as minhas braçadas nesta travessia.

Por incrível que pareça, nosso dia a dia muitas vezes nos afasta desses momentos de escuta e troca. 

Percebi que a melhor forma de as pessoas se aproximarem de mim para conhecer minhas proposições iniciais, era exatamente dividir com elas um pouco do que sou. 

Foram histórias compartilhadas reforçando que as posições que ocupamos e situações que enfrentamos são passageiras.

E que nossa fragilidade e força de superação dos desafios passa necessariamente pela partilha com o outro.

Hoje, ao finalizar essa primeira etapa do pleito, confesso que todo o cansaço foi recompensado por uma certeza:  

Nós somos uma instituição que valoriza o outro. 

Por onde andei, as pessoas com quem conversei, cada segundo que vivi nessas últimas semanas provocaram reflexões profundas que aproximaram de mais respostas e convicções.

A primeira delas é de que estou preparada para conduzir nossa instituição de uma perspectiva diferente dos colegas que passaram pelo cargo. 

E não há aqui nenhum julgamento negativo, pelo contrário. 

Reconheço hoje, muito mais do que antes, o valor de cada Defensor Geral que geriu a instituição pensando sempre em acertar. 

Lembro que quando assumi a Presidência da ADEP, havia um intenso debate sobre se eu tinha maturidade e preparo para assumir tão importante função.

Eu ouvia muito dizer que não era “meu tempo” ainda. 

Assim como na Travessia Mar Grande Salvador, talvez eu não fosse a candidata com o maior barco, nem a mais veloz.

Mas não me faltava vontade de aprender e força para trabalhar. 

Eu gosto de desafios.

Ao final da gestão e com a colaboração de colegas e amigos muito queridos, entreguei uma Associação de Classe:

  • Mais PRÓXIMA da sociedade civil
  • Reconhecida nacionalmente como IMPRESCINDÍVEL à aprovação da Emenda Constitucional 80/2014 
  • E com um patrimônio bancário quase 10 VEZES MAIOR.

Sim… tenho plena consciência de que administrar a Defensoria Pública da Bahia é diferente de gerir a ADEP.

Assim como soube em 2012, sinto que está na hora de eu colocar meus próximos dois anos de vida a serviço da nossa instituição.

Estou pronta para Ouvir, Cuidar e Lutar junto e por meus colegas defensores, servidores, estagiários e especialmente nossos usuários, que se avolumam em busca de seus direitos.

Tenho coragem para enfrentar os obstáculos que venham a surgir, por causa do desconhecimento de nossa importância na sociedade brasileira. 

Sei que somos fortes o suficiente para resistir em tempos de tormenta e colher os frutos do que semeamos. 

A história dos colegas que entraram na Defensoria Pública da Bahia antes de mim é prova disso.

Assim como a história dos que entraram depois de mim e que precisaram LUTAR por suas nomeações e concurso.

Somos assim, esse corpo complexo, diverso, mas pleno de potencialidades. 

Terei imenso orgulho de liderar a instituição que ajudamos a construir todos os dias.

Aos colegas de jornada meus sinceros agradecimentos.

Parabéns por se dedicarem a fazer uma campanha positiva e propositiva! 

E que amanhã Deus nos reserve o melhor para a Defensoria Pública da Bahia!

Muito obrigada de coração.

Soraia Ramos
Defensora Pública
“Ouvir, Cuidar e Lutar”
soraiaramos.com
71 99124-6446 (Fale comigo no Whatsapp!)

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